Baunilhas Brasileiras

Nós já falamos aqui como os grandes produtores de baunilha hoje são a Indonésia e Madagascar, apesar da Baunilha ter sido originária do México. Mas temos também baunilhas do cerrado brasileiro!

É o Cumaru?

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Não. Muita gente chama o Cumaru de ‘Baunilha Brasileira’, mas ele não faz parte da mesma família de plantas. O cumaru é uma semente Amazônica que não possui ‘vanilina’, mas traz quase o dobro de ‘cumarina’, substância também presente na canela, resultando num sabor particular seu.

Conhecido em inglês como Tonka Beans, até recentemente quase todo cumaru produzido no Brasil ia para exportação, até que começamos a valorizar seu produto. O fato de o chamarmos de ‘baunilha brasileira’ traz um problema duplo, não reconhecemos que temos de fato baunilhas brasileira, e usamos um termo estrangeiro para interpretar um ingrediente singularmente amazônico, ao invés de valorizá-lo pela sua especificidade.


As Baunilhas Brasileiras — de verdade.

69ba19_6a6dac27847d4ee7903fe7a6add56cf7-mv2_d_2448_2448_s_4_2.jpg_srz_2448_2448_85_22_0.50_1.20_0A Baunilha do Cerrado ou Baunilha Banana (Vanila edwalli) é uma variedade nativa da região de Goiás, onde faz parte da tradição local sendo usada como planta medicinal, principalmente em chás e xaropes tosses e pneumonia, em chás e xaropes, por isso alguns moradores da região cultivam em suas casas (apesar da prática ter se tornado cada vez mais rara). Também faz parte da nossa cultura sendo muito usada em práticas do candomblé.

Ela recebe seu nome popular  — Baunilha Banana — pelo seu formato, mais grosso que o da fava convencional. Perto de Goiás você encontra a variedade em áreas específicas de matas próximas à Serra Dourada, estando também presente no estado de Minas Gerais e próximo ao Distrito Federal. Assim como os outros varietais, porém, seu cultivo é difícil em muito raro devido à dificuldade de polinização. Aqui também no Brasil há cultivadores que fazem esse processo de modo manual, polinizando as flor uma a uma, mas mesmo assim o fruto só é encontrado e comercializado em natura do período entre março a maio (nos outros meses é encontrado apenas em conserva), e possui um custo de venda alto (um quilo – mais ou menos 20 “bananas” – pode chegar a R$500), que seria rentável, porém o produto é muito pouco conhecido e valorizado.

Este ano o Instituto ATA lançou o projeto Baunilhas do Cerrado para viabilizar a produção de comunidade locais, principalmente quilombolas. Parte do projeto é mapear e classificar estas espécies biologicamente, já que não há ainda uma certificação ou reconhecimento mundial dessas plantas. Segundo o projeto hoje haveríamos pelo menos 5 espécies de baunilhas brasileiras no cerrado.

As espécies estrangeiras são sim incríveis e devem continuar sendo valorizadas — mas por que não valorizar também as locais? Ainda mais quando se trata de um produto tão desejado e tão raro!

Se te deu vontade de tomar um sorvetinho de baunilha, dá uma olhada nessa receita que já postamos e que você pode fazer em casa.