Copa do Mundo de Gelateria 2018

Em Rimini durante a Sigep, maior feira do setor de sorveteria no mundo, ocorre também a cada dois anos a Copa do Mundo de Gelateria. Recebemos um convite inédito este ano para cobrir o evento e acompanhamos de perto o desempenho dos 12 países.

Como vocês sabem, eu sou uma grande apaixonada de concursos e acredito que eles possam realmente fazer diferença no futuro da nossa profissão. E a Copa do Mundo de Gelateria é a mais importante delas, englobando não somente o gelato de maneira técnica, mas incluso em um quadro maior que avalia sabor, apresentação, versões salgadas, improvisações com ingredientes sorteados, técnicas de escultura em açúcar e até mesmo gelo. A competição é tão complexa, que as equipes são formadas não somente de gelatieres, mas possuem um integrante como líder técnico, um chef de cozinha, um chef confeiteiro, um chef gelatiere e um escultor de gelo.

Cabe dizer que o Brasil costuma ter resultados modestos pela falta de apoio e valorização que os profissionais de gastronomia têm aqui. Sabemos que equipes como a França e Itália possuem diversos patrocinadores, além de concursos locais que selecionam a nata da nata dos profissionais disponíveis no país — mal acaba um concurso, eles já começam a treinar e selecionar profissionais para o próximo. No Brasil, é cada um por si, não existe qualquer ajuda ou seleção, as coisas só acontecem pelo amor e sangue de quem decide ir lá competir, então não podemos dizer nada além de parabéns para esse pessoal.

Um detalhe importante, vocês vão perceber que a Itália não participou da competição. Isso ocorre porque há uma regra que exclui a equipe vencedora do concurso anterior de participar da Copa do Mundo e em 2016 a Itália foi a grande vencedora. A idéia é que não vença sempre o mesmo país, mas o que acaba acontecendo hoje em dia é que França e Itália se revezam no pódio e nunca existe um embate entre as duas nações mais fortes. Este detalhe foi levantado com certa polêmica este ano e podemos esperar possíveis mudanças para as próximas edições.

Outra mudança importante que foi anunciada oficialmente foi a exigência de que daqui para frente todas as nações participantes do campeonato tenham seletivas internas para escolher os componentes da equipe que representará o país. Ainda não sabemos o que o Brasil fará em relação a isso, como eu disse anteriormente, hoje não temos competições oficiais que valham uma vaga na seleção brasileira de Gelateria. Se isso não mudar, estaremos fora das próximas competições, o que seria uma pena. Começamos a ver pequenas competições isoladas aparecerem, mas nenhuma ainda tomou a importância de uma classificatória para o mundial.

Bom, enquanto não temos mais notícias, vamos ao que realmente interessa, a classificação final:

1. França – 3.654 pontos

Como acontece há anos, sai a Itália, entra a França no lugar mais alto do pódio. O favoritismo foi confirmado e a França além de vencer o prêmio maior, também recebeu outros dois reconhecimentos, o prêmio de estética e o de ordem e limpeza. O tema escolhido foi “Moulin Rouge”.

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2. Espanha – 3.609 pontos

Visualmente foi a mais original e bonita, na minha opinião, e ficou com um honroso segundo lugar, explorando o tema “Mago Merlin”.

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3. Austrália – 3.483 pontos

Com a ousada escolha do tema “Star Wars”, a Austrália fez uma apresentação original e conquistou o júri obtendo o terceiro lugar. Mereceram também dois prêmios especiais, o de sabor mais inovador (referente à caixa misteriosa) e de melhor mise-en-place, com um detalhe, já é o terceiro prêmio seguido que eles vencem de sabor mais inovador, nessa categoria eles são os favoritos absolutos há anos.

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4. Japão – 3.281 pontos – Tema “Tradição e Inovação”
Conquistou o prêmio de melhor gelato salgado

5. Estados Unidos – 3.195 pontos – Tema “Lenda Urbana – Área 51”

6. Argentina – 3.190 pontos – Tema “Tango”
Recebeu o prêmio da imprensa por ter sido a equipe que melhor se apresentou como time nacional

7. Polônia – 3.160 pontos – Tema “O espírito das montanhas”

8. Suíça – 3.072 pontos – Tema “Flores e Cores”
Venceu o prêmio melhor peça de gelo

9. Brasil – 3.031 pontos – Tema “Grécia – o nascimento do gelato”

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Da esquerda para a direita: Isabella Brendler, Mario Mangone, Glauco Scisci, Frederico Jardim Samorra e Abner Lombati.

10. Marrocos – 2.966 pontos – Tema “Game of Thrones”

11. Ucraina – 2.915 pontos – Tema “A ponte entre o passado e o futuro”

12. Korea – Participação demonstrativa, sem valor competitivo

E assim foi a Copa do Mundo de Gelateria 2018, uma verdadeira festa para todos nós que amamos gelato. Agora só daqui a dois anos. Esperamos que até lá o Brasil consiga formar uma competição nacional reconhecida pela Copa do Mundo, com certeza teremos notícias a respeito em breve.

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Fotos: Augusto Melo

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