A história da Kibon no Brasil

Já falamos algumas curiosidades do sorvete no Brasil, mas vamos entender um pouco mais. Como falamos, durante décadas a produção de sorvete no Brasil foi artesanal, até a chegada da Kibon!

A sua produção, claro, não começou aqui no Brasil. A empresa que (então chamada U.S. Harkson) era a subsidiária de uma companhia norte-americana em Xangai e produzia ovos desidratados. Para compensar, no entanto, períodos de baixa na produção durante o verão, eles incluíram um novo produto no portfólio: picolés. O sucesso foi tão grande que chegaram a vender 3 milhões em um fim de semana.

Mas as tensões bélicas entre China e Japão fizeram a companhia buscar águas mais calmas, e em 1941 vieram para o Rio de Janeiro. Sob o nome Sorvex Kibon, os dois primeiros lançamentos se converteriam foram já os clássicos da nossa infância: sorvete Eskibon e o picolé Chicabon.

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Logo a marca estava de norte a sul do país, mas ainda enfrentava uma barreira cultural: para a maioria dos brasileiros sorvete é uma compra de impulso, uma guloseimas que nos permitimos, e principalmente no verão. Por isso as campanhas da marcas mostravam o sorvete como um alimento nutritivo, que poderia ser a sobremesa da família, e não apenas uma indulgência de infância. Isso não é nem um pouco absurdo, é assim, por exemplo que os italianos veem o sorvete. E isso faz muito sentido se pensarmos em um sorvete de bons ingredientes, feito sem gordura hidrogenada, com leite de boa proveniência e sem aditivos ou excesso de açúcar. O problema é que em geral, esses são características de poucas marcas no mercado, e em geral, marcas artesanais, não?

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Foram essas campanhas que hoje conhecemos as embalagens de supermercado aceiras — sim isso também foi invenção da Kibon no Brasil! Elas primeiro foram desenhadas em latas, e depois as embalagens plásticas que conhecemos. Sempre com a ideia que uma vez acabado o sorvete, a embalagem poderia guardar outros mantimentos.

Hoje a Kibon, comprada pela Unilever (na época Gessy Lever), ainda possui grande fatia do mercado das comprar para a casa, e apesar de ter influenciado muito nosso gosto, os hábitos dos brasileiros ainda não mudaram tanto. Talvez seja uma questão de focar menos na compra, e mais em produzir sorvetes que de fato sejam alimentos nutritivos, mas mais sobre isso em outro momento.

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